terça-feira, 18 de setembro de 2012

Comparando as ideias de Pirró e Marillia, nos textos sobre inovações tecnológicas e seus impactos na sociedade.


Comparando as ideias de Pirró e Marillia, nos textos sobre inovações tecnológicas e seus impactos na sociedade.


WALDIMIR PIRRÓ E LONGO -Consultor em Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação.  Membro do Conselho Empresarial deTecnologia da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro – FIRJAN. Membro do Conselho Superior do Centro Universitário

MARILLIA GOMES DE CARVALHO- Doutora em Antropologia social pela Universidade de São Paulo, professora do Programa de Pós Graduação em Tecnologia-CEFET/PR

Acadêmica: Lucicleia Matos


O trabalho de Pirró busca entender o desenvolvimento do meio ambiente, suas transformações e impactos sobre a sociedade e a cultura de um povo em meio às inovações tecnológicas. Historicamente em todas as culturas sempre existiu ciências, tecnologias e inovações empregadas por diferentes civilizações utilizando seus diferentes recursos naturais, adaptando-se cada um com sua realidade econômica e geográfica.
Para Pirró, essas mudanças e transformações causam impactos significantes sobre a sociedade. A partir da Revolução Industrial as mudanças sociais provocadas pelas diferentes inovações tornam-se mais rápidas, nascendo então na metade do século XIX a necessidade de haver uma organização dessas inovações cientificas e tecnológicas. Nesse período ciências e tecnologia andavam separadas, a ciência desvendava os fenômenos da natureza, a tecnologia em transformar a natureza para melhorar a vida da humanidade. Mais tarde surge a necessidade da ciência e a tecnologia buscarem resolver os problemas juntas unindo o conhecimento a técnica, através de pesquisas e investigações.
O estado passa a investir na ciência, a fim de conseguir uma produção industrial em longa escala.
Após a Segunda Guerra Mundial o resultado da pesquisa para a criação de armas militares foi muito satisfatória, tornando- se fonte de variadas tecnologias, como a fabricação de aviões a jato, computadores, aparelhos de comunicação, energia nuclear, novos materiais, fármacos, etc. Nesse sentido a ciência e a tecnologia são objetos principais ao desenvolvimento dos países desenvolvidos, um deles os Estados Unidos. Surge em fim a disposição na formação de novos profissionais no ramo das ciências tecnológicas. Começa a acontecer uma aceleração de mudanças sociais, tanto na vida das pessoas como no meio onde vivem.
“O homem vai à lua”, e os meios de comunicação sofrem avanços sistemáticos e contínuos, fazendo com que os indivíduos passem a acompanhar esse desenvolvimento prevendo a próxima criação tecnológica, mas esse avanço visava apenas o mercado financeiro e não  a sociedade é o chamou de “hiato gerencial”.
Com o advento do avanço tecnológico a expectativa de vida aumenta, pois com a criação das maquinas é diminuído o tempo de trabalho do homem que já não precisa do trabalho braçal e passa a ter tempo livre para ser gasto com laser, porém com isso aumentaria os gastos governamentais, já que vivendo mais os indivíduos também gastariam mais tempo sem produzir, gerando maiores gastos com a saúde, aposentadoria e uso dos recursos da natureza.
Um dos impactos sugere uma Terceira Revolução Industrial que acontece com a concorrência de produtos inovadores que satisfação a necessidade do usuário de forma eficaz e barata. Associa-se então a informação as telecomunicações causando a possibilidade de velocidade da informação ampla e satisfeita. Para isso tem que haver qualificação profissional criando “novos empregos”.
Para Pirró, na educação deve ser inserida a disciplina de ciências e tecnologia para evitar o “analfabetismo tecnológico”, pois é necessária uma educação de qualidade, é preciso formar profissionais pesquisadores, pessoas capazes de utilizar os meios tecnológicos em sua pratica pedagógica. “conhecimento é poder” diz Francis Bacon, para ele quem tem condição de investigador e investir em ciências é capaz de inovar sempre. “ Em fim, segundo vários autores quem tem maior poder de investimento científicos a fim de buscar os avanços tecnológicos é quem “tem a bola da vez”, é quem coordena o desenvolvimento dos países em desenvolvimento “ditando a regra do jogo”.
Para Marrilia, o desenvolvimento tecnológico provoca desigualdade social, já que nem todos tem acesso a tal inovação. Historicamente vê o homem buscando adaptar-se as mudanças, mas sendo desrespeitado na sua cultura. Para ela os ricos ficam mais ricos e os pobres que não tem acesso a uma educação de qualidade e nem ao meio tecnológico fica cada vez mais pobre, pois não existe uma distribuição de renda, causando assim conflitos entre as classes sociais, gerando conflitos urbanos, como violência, insegurança, sequestros e assaltos, gerando o isolamento das pessoas. Para ela a tecnologia é necessária, mas tem que estar disponível a todos os indivíduos, mesmo aos que de classe menos favorecida, sem distinção econômica, a fim de que as inovações alcancem também os centros urbanos.
Comparando os dois autores, Pirró e Marilia, nota-se que a preocupação de um para o outro tem elos diferentes. Pirró procura definir a ciência e seus avanços tecnológicos em uma visão de mundo informatizado, onde a cultura é moldada e ensinada. Destaca os aspectos sociais, suas alterações e transformações pelo uso das tecnologias. Ele retrata que o conhecimento é a base para o sucesso e as pessoas, países devem investir nessas inovações, tanto profissionalmente, como cientificamente. Pirró deixa claro que para tanto os governantes tem que garantir uma educação de qualidade, a fim de que, sua população desfrute de todos os avanços tecnológicos. Já Marillia defende a utilização da tecnologia de forma igualitária, onde tanto ricos quanto pobres tenham o mesmo acesso. Para ela a educação é a base para o conhecimento, mas essa deve favorecer as camadas da sociedade que são desfavorecidas, fazendo com que tais indivíduos também desfrutem de uma educação de qualidade. Para ela os países em desenvolvimento devem alcançar os mesmos avanços tecnológicos utilizando de suas condições e realidade cientifica, mas dando ênfase a uma educação de qualidade, qualificando profissionais capazes e realizados, ao invés de pessoas frustradas. Ela defende uma educação tecnológica que vise minimizar as desigualdades sociais. Em fim, a diferença entre os dois texto abordados é que, Pirró  aborda os aspectos sociais de forma linear, toda inovação faz parte do processo de desenvolvimento de um país, mas Marillia crítica esse avanço tecnológico,  quando ele deixa de beneficiar a maioria, e beneficia somente alguns de uma classe de pessoas bem  dominantes.




 Referências bibliográficas
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